Ensinando busca binária para minha filha
20/05/2008
Ajudar os filhos nas tarefas de casa é ao mesmo tempo obrigação (eles não dão conta de estudar sozinhos), com prazer (quando você vê evolução e geralmente é rápida) ou com chateação (quando você está muito cansado e o filho(a) está com preguiça). Admito que geralmente quem ajuda mais é minha mulher, mas quando é algo relacionado a matemática, então quem ajuda é eu mesmo.
Como sou professor (e percebo cada vez percebo gostar mais disso), uso de vez em quando minha filha como “cobaia” para minhas experiências pedagógicas quando algumas idéias surgem na minha cabeça. Vou descrever a experiência que tive hoje no caminho para escola quando resolvi ensinar a ela a técnica de pesquisa binária. Resolvi fazer isso por que no dia anterior, ela teve dificuldade de fazer um exercício de casa e que de certa forma resolvemos facilmente com a técnica citada, mas o nível de compreensão dela sobre o processo de resolução não foi muito bom.
Então percebi que precisava melhorar a compreensão dela, desenvolvendo o seu raciocínio lógico para que ela pudesse ter como instrumento para resolver problemas diversos. Lembrei então de um jogo que geralmente eles fazem no programa de tv video-show em que cada equipe tenta adivinhar um número (por exemplo, quantos anos tem Chico Buarque?) em menor tempo. Interessante que todo cientista da computação sabe que esse problema é resolvível mais eficientemente através de pesquisa binária.
Então resolvi aplicar o jogo com a minha filha Sophia. Disse que iríamos jogar “adivinhe o número que estou pensando”. Eu pedi para que ela pensasse em um número de 1 a 20 e eu tentasse adivinhar. Repeti várias vezes, mostrando para ela que usando a “regrinha das metades”, eu sempre adivinhava o número em no máximo 5 tentativas. Vou exemplificar passo-a-passo para entender melhor a técnica da “busca binária”:
- 1) Suponha que ela escolha o número 6, sem me dizer;
- 2) Eu digo: 10 (metade entre 1 e 20);
- 3) Ela diz: menor;
- 4) Eu digo: 5 (metade entre 1 e 10);
- 5) Ela diz: maior;
- 6) Eu digo: 7 (metade entre 5 e 10);
- 7) Ela diz: menor;
- 8 ) Eu digo: 6 (meio de 5 e 7);
- 9) Ela diz: achou!
O próximo passo foi eu escolher um número e ela ter usado o algoritmo eficientemente. Pedi para ela também que experimentasse de forma aleatória, sem técnica. Com algumas experiências ela percebeu que quando ela utilizou a metodologia era mais rápido. Ela até me perguntou curiosamente: “Pai, este jeito bagunçado de tentar adivinhar pode chegar a quantas tentativas?”; respondi: “Filha, pode chegar no máximo 20 tentativas, mas geralmente chega em média de 8 a 10. Com a técnica, geralmente a gente chega em 4 a 5.”. Na hora, vi os olhinhos dela brilharem de satisfação. Fiquei mais que satisfeito.
O que é interessante é que foi sem computador, sem quadro, papel, nem nada; só através de um jogo que durou no máximo 15 minutos. Ela gostou tanto que perguntou logo antes de deixa-la na escola: “Pai, podemos brincar na volta, com 30 números?”.
Será que aprender lógica seria bom para todo mundo? Depois que assisti uma palestra da Léa Fagundes que defendia que o OLPC deveria ser fornecido para todas crianças para que elas aprendessem programação, fiquei imaginando como seria o nosso mundo se as crianças fossem estimuladas a raciocinar logicamente através de programação, como poderia beneficiar a carreira delas como futuros programadores, engenheiros, médicos, escritores, professores, etc.
Quem sabe algum dia, com colaboração de amigos, possamos escrever um material didático de ensino de raciocínio lógico (com algoritmos) baseado em jogos, de forma que fosse barato e acessível para escolas de todo mundo? Pô, acho que viajei
domingo, 8 de março de 2009
Ensinando busca binária para minha filha | Marcelo Akira
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20/05/2008 
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