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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

divisibility algebraic method - Pesquisa Google

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

UM DESPROPÓSITO! | Reinaldo Azevedo

UM DESPROPÓSITO! | Reinaldo Azevedo

UM DESPROPÓSITO!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009 | 4:47

Procurem saber quando é que os países optam por processos constituintes. Sempre que isso acontece, há um rompimento da velha ordem, como houve no Brasil com o fim do regime militar. Fazer constituinte para resolver dificuldades no Congresso é coisa de gente mal intencionada, que não entende como funcionam as democracias. Não por acaso, bandoleiros da América Latina têm recorrido a tal expediente, a exemplo do trio calafrio: Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Sem que seus respectivos países tivessem passado por uma revolução ou rompimento da ordem, usaram a Constituinte como atalho para implementar regimes autoritários.

Anteontem, Lula já havia afirmado em Portugal que a lambança havida no governo de José Roberto Arruda decorre da falta de uma reforma política. Segundo disse, houvesse o financiamento público de campanha, aquela bandidagem não aconteceria. Obviamente, trata-se de uma bobagem. Quem disse que aqueles vagabundos estavam fazendo apenas caixa ilegal de campanha? Tudo leva a crer que se trata de ladroagem — pura e simplesmente, ladroagem.

Esse negócio de que é a lei que leva um sujeito a transgredir a lei é uma tautologia estúpida, como todas. Sempre se transgride uma lei dada, é claro. O que leva alguém a respeitar ou não os limites impostos é uma decisão pessoal, de caráter moral. Mude-se o texto legal o quanto for, e o vigarista determinado vai tentar fraudá-lo. Ou existe a punição exemplar que torne mau negócio fazer a coisa errada, ou não há lei que o contenha.

Achando que a bobagem era pouca até ali, Lula avançou ontem em Kiev. Agora ele defendeu, imaginem vocês, uma Constituinte! É… Como Chávez, Evo e Correa. E acrescenta, assim, um risco a mais à eventual vitória de Dilma Rousseff. Se Lula fizer o seu sucessor, vem por aí a tentativa de uma… Constituinte!!! Já disse que, do ponto de vista puramente intelectual, um demônio sopra em meus ouvidos: “Vai, Reinaldo, deixa que os adesistas, sobretudo do empresariado e da imprensa, conheçam o verdadeiro PT”. O problema é que a gente sabe onde esse negócio termina…

E Lula deu os seus motivos: enviou propostas de reforma tributária ao Congresso, e elas não avançaram; enviou propostas de reforma política, e elas não avançaram. E AINDA BEM QUE NÃO AVANÇARAM! ERAM E SÃO MUITO RUINS!

Pergunta que não quer calar ao nosso bolivariano light: se o Congresso regular não aprovou as medidas, mesmo ele tendo uma maioria espantosa, por que seria diferente num Congresso Constituinte? Há várias respostas que se combinam, todas ruins: a) porque os valentes tentariam fazer uma Constituinte ad hoc, isto é, eleger representantes que teriam o fito único de fazer a Carta e ir para casa; b) porque, num processo constituinte, aprovar-se-iam medidas por maioria simples. Em suma: se a maioria qualificada para aprovar emendas constitucionais se mostra impossível, então se opta por golpear o Congresso. Simples, como se vê; c) porque o Executivo, desta feita, poria toda a sua força, com o apoio dos ditos ”movimentos sociais”, para pressionar aquela Assembléia que se dissolveria tão logo redigida a nova Carta… NOTA À MARGEM: a primeira vítima de um processo constituinte nesses moldes seria a liberdade de expressão; os petistas defendem uma verdadeira “revolução” na área de comunicação, especialmente na radiodifusão.

Não, não acho que seja simples convocar uma constituinte mesmo que Dilma vença a eleição. Mas a simples menção dessa possibilidade revela o debate rebaixado que se faz no governo. Em seus sete anos de poder, o que fez Lula para manter uma relação mais qualificada com os partidos e com o Congresso? O movimento mais vistoso foi o… mensalão!!! Todos os vícios históricos da relação dos partidos da base aliada com o governo foram mantidos, e outros tantos se acrescentaram. E ele vem falar em Constituinte?

Trata-se de um absoluto despropósito. Mas devemos ter cuidado: pode ser também um cálculo.


UM DESPROPÓSITO! | Reinaldo Azevedo

UM DESPROPÓSITO! | Reinaldo Azevedo

Rt @Beckywitz - Curiosity is the bridge that crosses the river of indifference. St. Augustine


UM DESPROPÓSITO!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009 | 4:47

Procurem saber quando é que os países optam por processos constituintes. Sempre que isso acontece, há um rompimento da velha ordem, como houve no Brasil com o fim do regime militar. Fazer constituinte para resolver dificuldades no Congresso é coisa de gente mal intencionada, que não entende como funcionam as democracias. Não por acaso, bandoleiros da América Latina têm recorrido a tal expediente, a exemplo do trio calafrio: Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Sem que seus respectivos países tivessem passado por uma revolução ou rompimento da ordem, usaram a Constituinte como atalho para implementar regimes autoritários.

Anteontem, Lula já havia afirmado em Portugal que a lambança havida no governo de José Roberto Arruda decorre da falta de uma reforma política. Segundo disse, houvesse o financiamento público de campanha, aquela bandidagem não aconteceria. Obviamente, trata-se de uma bobagem. Quem disse que aqueles vagabundos estavam fazendo apenas caixa ilegal de campanha? Tudo leva a crer que se trata de ladroagem — pura e simplesmente, ladroagem.

Esse negócio de que é a lei que leva um sujeito a transgredir a lei é uma tautologia estúpida, como todas. Sempre se transgride uma lei dada, é claro. O que leva alguém a respeitar ou não os limites impostos é uma decisão pessoal, de caráter moral. Mude-se o texto legal o quanto for, e o vigarista determinado vai tentar fraudá-lo. Ou existe a punição exemplar que torne mau negócio fazer a coisa errada, ou não há lei que o contenha.

Achando que a bobagem era pouca até ali, Lula avançou ontem em Kiev. Agora ele defendeu, imaginem vocês, uma Constituinte! É… Como Chávez, Evo e Correa. E acrescenta, assim, um risco a mais à eventual vitória de Dilma Rousseff. Se Lula fizer o seu sucessor, vem por aí a tentativa de uma… Constituinte!!! Já disse que, do ponto de vista puramente intelectual, um demônio sopra em meus ouvidos: “Vai, Reinaldo, deixa que os adesistas, sobretudo do empresariado e da imprensa, conheçam o verdadeiro PT”. O problema é que a gente sabe onde esse negócio termina…

E Lula deu os seus motivos: enviou propostas de reforma tributária ao Congresso, e elas não avançaram; enviou propostas de reforma política, e elas não avançaram. E AINDA BEM QUE NÃO AVANÇARAM! ERAM E SÃO MUITO RUINS!

Pergunta que não quer calar ao nosso bolivariano light: se o Congresso regular não aprovou as medidas, mesmo ele tendo uma maioria espantosa, por que seria diferente num Congresso Constituinte? Há várias respostas que se combinam, todas ruins: a) porque os valentes tentariam fazer uma Constituinte ad hoc, isto é, eleger representantes que teriam o fito único de fazer a Carta e ir para casa; b) porque, num processo constituinte, aprovar-se-iam medidas por maioria simples. Em suma: se a maioria qualificada para aprovar emendas constitucionais se mostra impossível, então se opta por golpear o Congresso. Simples, como se vê; c) porque o Executivo, desta feita, poria toda a sua força, com o apoio dos ditos ”movimentos sociais”, para pressionar aquela Assembléia que se dissolveria tão logo redigida a nova Carta… NOTA À MARGEM: a primeira vítima de um processo constituinte nesses moldes seria a liberdade de expressão; os petistas defendem uma verdadeira “revolução” na área de comunicação, especialmente na radiodifusão.

Não, não acho que seja simples convocar uma constituinte mesmo que Dilma vença a eleição. Mas a simples menção dessa possibilidade revela o debate rebaixado que se faz no governo. Em seus sete anos de poder, o que fez Lula para manter uma relação mais qualificada com os partidos e com o Congresso? O movimento mais vistoso foi o… mensalão!!! Todos os vícios históricos da relação dos partidos da base aliada com o governo foram mantidos, e outros tantos se acrescentaram. E ele vem falar em Constituinte?

Trata-se de um absoluto despropósito. Mas devemos ter cuidado: pode ser também um cálculo.


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